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A maioria das Enchentes são consequências da irresponsabilidade do governo republicano

Capa do Jornal Estado de Minas de 18/12/2008. 2.ed.

Capa do Jornal Estado de Minas de 18/12/2008. 2.ed.

Autor: Sebastião Fabiano Pinto Marques
São João del-Rei, MG

As enchentes que arrasaram Santa Catarina, Minas Gerais e Rio de Janeiro são responsabilidade do governo republicano brasileiro. A chuva não é invenção recente, sempre choveu no Brasil. Não se trata de consequências só das alterações climáticas. O Brasil é país tropical. Chover é típico do clima. A diferença está principalmente no governo.

Na era do Brasil imperial administrava-se pensando no futuro. Isso era feito não porque se “buscava o bem comum”, mas porque o Monarca preocupava-se em manter a família no poder. Era a velha lei do interesse pessoal funcionando em benefício da sociedade. Por isso, não se construía em áreas alagáveis, nem em encostas perigosas. Os governo não permitia, o bom senso não permitia, pessoas inteligentes não faziam isso.

Depois do golpe republicano, o Brasil perdeu a noção do amanhã.  O planejamento limitou-se à “próxima eleição” e passou-se a contar com a sorte para que o clima e as relações internacionais estejam sempre na “condição ideal”. A condição ideal não pensa na hipótese da chuva, da guerra, das epidemias e catástrofes inesperadas que podem surgir sem avisar.

Na república, o planejamento dispensa as “condições adversas”. Administra-se para atender às “condições gerais”, a “maioria”. Infelizmente, como não chove todos os dias; há o péssimo hábito de acreditar que chove-se apenas “raras vezes”. Somando isso a mentalidade republicana de que  o hoje é sempre mais importante que o amanhã; para que investir em prevenção de desastres causados por “eventos esporádicos”? E, o pior,  para que investir em obras que não aparecem para o povo?

O povo só pensa só no hoje. Isso é normal. Por tal motivo que as sociedades primitivas inventaram o Estado: para solucionar problemas que as pessoas comuns não têm capacidade para resolver. O governo deveria impedir que a população fizesse a imbecilidade de construir na beira de rios e barrancos. Mas o governo republicano ignora porque fazer isso “não dá voto”, enfim: agride o interesse pessoal do político eleito. Para ele, é “melhor” deixar construir. É “melhor” distribuir “certidões de registro”. É “melhor” deixar a cidade crescer de qualquer jeito. É “melhor” deixar o povo jogar lixo nos rios e córregos e construir de “qualquer jeito”. O povo gosta e agradece votando no político que não o incomodou com “exigências”… Ou seja: o povo premia o político trapaceiro e mau caráter, ao mesmo tempo que adquire antipatia contra o político que “pensa no futuro” e o impede de fazer a bobagem de construir em local inadequado.

A consequência estamos vendo: desastres urbanos. Não desastres causados pela natureza, mas pela burrice do governo e das pessoas que ignoram as chuvas do Brasil. Pode verificar. Praticamente todas as áreas prejudicadas são construções feitas após 1889. Período a partir do qual o Brasil deixou de ser sério.

É sempre assim. Hoje o povo fica comovido com as enchentes de 2008. Há um ano, era Itaipava que estava arrasada pelo mesmo motivo. Hoje o povo e o governo já esqueceram. Ano que vem, ninguém se lembrará dos desastres de hoje e eles serão mostrados como se no Brasil nunca chovesse. Pessoas morrerão, comerciantes terão prejuízos, famílias perderão parentes e bens; e por quê?  Em grande parte por incopentência da república. Pelo insucesso total dessa hipócrita forma de governo que só incentiva a corrupção política e a ineficiência estatal.

Em Minas Gerais chove. Em Santa Catarina chove. No Rio de Janeiro Chove. Enfim: Na maioria do Brasil chove, sempre choveu e se tivermos sorte, continuará chovendo nos próximos anos. Não adianta ignorar a natureza, ela passa por cima dos desavisados.

A república não pensa nisso. Na Coluna Cláudio Humberto de 22/12/2008 há a seguinte notícia:

“Tragédias poderiam ter sido evitadas

Tragédias naturais como as de Santa Catarina e Minas Gerais poderiam ser evitadas se o governo Lula tivesse aplicado os recursos previstos no Orçamento para ações de prevenção. A poucos dias de acabar o ano, o governo só gastou até agora 9,1% dos R$ 615,9 milhões para Prevenção e Preparação para Desastres. Com as obras previstas no Orçamento, muitas vidas catarinenses e mineiras poderiam ter sido poupadas.”

Infelizmente, tal negligência repetir-se-á nos próximos anos, independente de quem seja o presidente porque a república nunca funcionou no Brasil. Governos inteligentes pensam no amanhã. A monarquia é uma forma de governo inteligente. Em São João del-Rei, muito antes da anarquia republicana vigorar, pensava-se no futuro. Para um simples córrego que cortava a cidade, o monarca já havia planejado a solução:

 

Córrego do Lenheiro. Ponte da Cadeia. São João del-Rei, MG

Córrego do Lenheiro. Ponte da Cadeia. São João del-Rei, MG: apesar do pequeno córrego, pensava-se nas enchentes esporádicas e violentas, diferentemente dos tempos republicanos.

Hoje, os cidadãos constroem na beira dos rios e encima de barrancos. O governo republicano finge que está tudo bem. É a semente do desastre do amanhã. É parte do alto preço que pagamos por tolerar a república no Brasil. Até quando aceitaremos o mal da república calados?

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    -República: Conheça essa história.<
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    1 comentário

    1. Sebastião Marques

      Incrível é que tudo isso que falei para Minas Gerais em 2008 é plenamente aplicável para as enchentes que arrasaram o Nordeste.
      .
      Como eu sempre digo, um dia chove, o rio sobe e toma seu lugar natural, a saber: todas as baixadas que margeiam o rio. Local onde os imprudentes preferem construir.
      .
      Podemos chamar o que ocorreu em Alagoas e Pernambuco de desastre?
      .
      Claro que não. Desastre é quando algo inesperado acontece e prejudica as pessoas. Por exemplo: um furacão, um terremoto e até uma explosão vulcânica que é impensável naquela região. Entretanto, construir em beira de Rio nunca foi algo prudente. É claro que poderia até demorar a chover, mas um dia a chuva viria e causaria uma enchente. Isso é tão óbvio que já existia no local a “baixada” que o rio costuma tomar quando enche.
      .
      Quem construiu naqueles locais é irresponsável. Ele tentou a sorte contra a natureza e, fatalmente, perdeu a queda de braço. O mesmo se aplica a quem constrói sua casa ao lado do vulcão. Não há motivo para reclamar quando ele explode. Qualquer imbecil podia prever isso. Do mesmo modo que qualquer idiota sabe que área de terremotos não é local ideal para fixar moradia e fazer uma casa.
      .
      Quem procura a morte, acha.
      .
      Que o povo do Nordeste e do Brasil tome vergonha na cara com essa e pare de construir na beira dos rios e córregos. Beira de Rio não é local de moradia. Beira de rio é local de enchentes.

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