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Tiradentes, Joaquim José da Silva Xavier. Biografia.

Tiradentes: Joaquim José da Silva Xavier

Tiradentes: um homem idealista, íntegro, pobre, parecido com Jesus, que morreu enforcado pelo bem da nação. Nada mais mentiroso!

Autor: Sebastião Fabiano Pinto Marques
São João del-Rei, MG

Tiradentes, Joaquim José da Silva Xavier, nunca foi herói e nem mesmo morreu enforcado. Esse infame traidor da coroa e mentiroso queria a liberdade só para Minas Gerais. E mais: ele era contra a abolição da escravidão. Se dependesse dele, o Brasil seria como o restante da América Latina: dezenas de republiquetas divididas e pobres.

Tiradentes não se sacrificou. Foi condenado à morte pelo crime de alta traição (e outro pagou pelo crime). E convenhamos: para a época, ele foi julgado com muita benevolência.

Se isso tivesse acontecido em outro país, ele seria executado sem a chance de explicar o que fez. Aqui ele foi tratado com mais dignidade. Deram-lhe o benefício da dúvida. Em seu caso foi aplicado o princípio do devido processo legal, um avanço para época. O procedimento judicial de apuração durou anos. O alferes ainda recebeu o benefício da forca antes de sofrer o esquartejamento. Em outros países, ele não teria essa regalia. Teria que suportar as dores ainda vivo.

É muito fácil acusar o rei da época de cruel e proclamar Tiradentes um herói. Devemos nos lembrar que ainda existe pena de morte para militares que cometam um dos 36 crimes previstos no Código Penal Militar em tempo de guerra. São diversos crimes: traição (art. 355), favorecimento do inimigo (artigo 356), cobardia (art. 364), espionagem (art. 366), motim (art. 368), rendição precipitada (art. 372), abandono de posto (art. 390), libertação de prisioneiro (art. 394) e outros. A pena: fuzilamento sem dó, nem piedade. Isso em pleno século XXI. Nem por isso, as pessoas protestam. Entretanto, como Tiradentes foi condenado pelo Rei, vozes reclamam por todos os lados, como se o monarca fosse um déspota sedento pelo sangue dos inocentes.

Portanto, é injusto considerar a pena de morte dada a Tiradentes como excessiva quando nós mesmos adotamos a pena de Morte para nossos militares. Isso, no mínimo, é tendencioso.

Mas o pior não é isso. Tiradentes não morreu enforcado. Segundo o historiador Carlos Eduardo Lins da Silva, o infame traidor fugiu para França onde viveu como outra pessoa, enquanto um pobre coitado morrera enforcado em seu lugar. Anos depois, ele voltou para o Brasil e abriu uma botica. Enfim: o herói Tiradentes é uma farsa. Clique aqui e veja o artigo completo. O artigo também está disponível para assinantes da Folha de São Paulo. O tema é controverso. Muitos historiadores, como Laurentino Gomes, não dão crédito a essa versão.

No entanto, foi lançada a dúvida. Tiradentes como é ensinado nas escolas nunca existiu. Trata-se apenas de uma história inventada pelos republicanos do séc. XIX para tentar legitimar o golpe republicano. Historicamente, houve apenas um homem louco que vivia andando pelos bordéis de Ouro Preto prometendo às prostitutas cargos de Ministro na república que ele pretendia criar. Ninguém o levava a sério. E essa foi uma de suas teses de defesa nos Autos de Devassa da Inconfidência Mineira. “(…) tanto assim, que em uma ocasião, segundo o seu parecer depois das prisões, o médico Belo, falando-se nas ditas prisões, dissera em sua casa, que o dito Alferes era tão louco, que até pelas tavernas andava falando em República e liberdade de Minas“. (Autos, p.409-410, V. 5)

Tiradentes: Joaquim José da Silva Xavier

Tiradentes: Joaquim José da Silva Xavier

Tiradentes também não era “barbudo”, nem se parecia com Jesus. Ele era um alferes. E como todos os demais, era obrigado a raspar a barba ou sofrer os castigos da corporação. Até hoje é assim. Os recrutas que não fazem a barba são punidos pelo quartel. Barba raspada é uma ordem, não uma opção. Apenas os militares de patente mais alta têm o privilégio de ostentar um bigode.

E mais: Tiradentes não era pobre, mas um homem de posses. Nasceu em São João del-Rei, MG, na fazenda do Pombal (Hoje em Ritápolis, MG). Uma enorme fazenda, ressalte-se. Mas não para por aí: ele também possuia várias outras fazendas no Estado de Minas Gerais. Além disso, ele possuia escravos e outros bens. Então, como poderia ter sido pobre?

Evidentemente ele nunca foi pobre. Apenas disseram isso para o povo simpatizar-se com ele. O mesmo motivo pelo qual deram-lhe uma aparência semelhante a de Jesus Cristo, o messias dos cristãos. Os republicanos nunca tiveram um herói. Então, inventaram um. Eles contaram com a sorte. Pensaram que ninguém descobriria a farsa no futuro e que a história do “herói” ficaria por isso mesmo. Pois bem, a casa caiu. A verdade apareceu. O pobre herói que morrera enforcado não era herói e nem foi enforcado.

Tiradentes era rico. E isso é fácil de provar. Existe um processo judicial que ele sofreu antes de ser condenado por alta traição. Motivo: o “herói” enganou uma viúva e deflorou a filha dela (coisa grave para época). Eis o que está nos autos: “Vivendo em sociedade por causa daquela promessa, doou à mesma suplicante uma escrava por nome de Maria, de nação Angola, que sucedendo ser preso o dito alferes Joaquim José da Silva Xavier na cidade do Rio de Janeiro, foi confiscado, ou seqüestrado com outros mais bens”.

Conforme o Processo, Tiradentes doou (de boca) para família da moça deflorada uma escrava para poder compensar o dano causado. Entretanto, a escrava foi confiscada posteriormente por causa da alta traição cometida pelo Alferes contra a coroa. Como a transação não tinha sido documentada e o Alferes não manteve a palavra, a escrava foi confiscada como se ainda pertencesse a Tiradentes. Por causa disso, a pobre moça recorreu à Justiça para tentar recuperar a escrava. É por causa desse processo que hoje se sabe que Tiradentes, além de rico e mentiroso, era também um deflorador de donzelas.

São mais de 120 anos no qual a república tenta criar a imagem de um “herói” cujo “grande mérito” era querer dividir o Brasil, através do ardil da alta traição com o apoio das prostitutas. E mais: ele queria uma Minas Gerais “Livre” na qual os negros continuariam escravos. Tiradentes sequer teve a dignidade de morrer como devia, mas deixou outro sofrer no seu lugar. Além disso, ele tinha o hábito de enganar mulheres ingênuas para deflorá-las.

Tiradentes só poderia ser considerado herói numa república como a brasileira na qual a traição, a dissimulação e a quebra de juramentos fazem de um vilão um herói nacional. Nesse sentido, ele é o símbolo perfeito da república brasileira. Seu “heroísmo” se sustenta em mentiras, na ignorância das pessoas e no silêncio daqueles que, conhecendo a história, insistem na mentira porque ela é aceita socialmente.

Herói é alguém honrado, capaz de enfrentar a morte pelas causas nobres. Herói é alguém leal, a exemplo do Marquês de Tamandaré. Um homem que de fato existiu e insistiu no que era correto até a morte, mesmo quando a maioria, por conveniência, preferia o silêncio para não ser perseguido.

Tiradentes era um trapaceiro mentiroso que deixou outro pagar com a vida pelo seus erros. Ele merece nosso desprezo e não a nossa reverência.

Como citar este texto?

Nas referências bibliográficas:

MARQUES. Sebastião Fabiano Pinto. Tiradentes, Joaquim José da Silva Xavier. Biografia. (2012). Disponível em: <http://www.matutando.com/tiradentes-joaquim-jose-da-silva-xavier-biografia/>. Acesso em 21/11/2012.

No corpo do texto:

(MARQUES, 2012)

Referências:

CARVALHO, José Murilo. A formação das Almas: o imaginário da república no Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 1990.

MINAS GERAIS. Autos de Devassa da Inconfidência Mineira. Belo Horizonte: Imprensa Oficial de Minas Gerais, 1976. Volumes 1-9.

SILVA, Carlos Eduardo Lins da. Morte de Tiradentes tem contestação. Folha de São Paulo, São Paulo, 21 abril de 1999.

SILVA, Paulo da Coste e (2007). A outra face do alferes. Disponível em: <http://www.revistadehistoria.com.br/secao/capa/a-outra-face-do-alferes>

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